4. Quando chora uma mãe - Anónimos de Abril

Por mais forte quem oprime 

Treme sempre um regime

Quando chora uma mãe 

 

Foi no porto de Leixões 

Estava o barco de saída 

Disse adeus em orações

Viu Guilherme de partida

 

Por alturas do Natal

Fez-se à estrada pelo mar

O seu filho ao Tarrafal

Herculana foi beijar

 

Por mais forte quem oprime…

 

Ali estava desterrado

Sem ter crime a confessar

Como os outros a seu lado

Fora preso por sonhar 

 

Muitos homens encontrou

A cumprir a provação 

A todos fotografou

Entre os muros da prisão 

 

Por mais forte quem oprime…

 

No regresso da viagem

Foi ainda mais além 

E as fotos na bagagem

Foi levar de mãe em mãe 

 

Por aqueles que a má sorte

Já levara desta vida

Herculana fez-se forte

Para lhes dar a despedida 

 

Ninguém tem força maior

Ninguém leva a melhor

Quando reza uma mãe

 

 

Por mais forte quem oprime

Treme sempre um regime

Quando chora uma mãe

 

Pousou ramos sobre a terra

Pôs sementes de saudade

Pelos mortos desta guerra

Que foi dar à Liberdade

Herculana mãe coragem

De viagem outra vez

E de novo na bagagem

Novas fotos que ela fez

 

Ao seu filho e companheiros 

Deu notícias e relatos

Levou para os prisioneiros 

As famílias em retratos

No regresso da prisão

Tinha as fotos na bagagem 

Que levou de mão em mão

Que levou de mãe em mãe

Ficha Técnica:

Letras: José Fialho Gouveia
Músicas: Rogério Charraz
Voz: Joana Alegre e Rogério Charraz

Baixo: Nuno Oliveira
Guitarras: Marco Reis
Pianos: Carlos Garcia
Trompetes: Sérgio Charrinho
Percussão: Carlos Miguel Antunes
Coros: Alexandre Alves, Sérgio Charrinho e Rogério Charraz

Gravado nos estúdios Arda Recorders e Plateia d`Ilusões.
Misturado no estúdio Plateia d`Ilusões, por Vasco Teodoro.
Masterizado por Miguel Pinheiro Marques na Arda Recorders

Shopping cart

0
image/svg+xml

Não existem produtos no carrinho.

Continue Shopping