7. Os mortos de Abril - Anónimos de Abril

Quis sonhar a liberdade 

E quando Abril por fim se deu

Houve tiros na cidade

E em Abril ele morreu

 

(João Arruda)

Tinha a cabeça certa

Para na vida ir mais além 

Mas quando a pobreza aperta

Custa às vezes ser alguém 

 

Deixou os Açores para trás

Em busca do seu caminho

O João quis ser capaz

De andar em desalinho

 

Quis sonhar a liberdade…

 

(Fernando Giesteiro)

De família transmontana

Sem política na mesa

Porque quando a fome esgana

Faz um luxo da braveza

 

O seu pai era mineiro

Mas para ele isso não queria

E o Fernando Giesteira

Para Lisboa veio um dia

 

Quis sonhar a liberdade…

 

(José Barneto)

Foi o Zeca toda a vida 

O Alentejo o viu nascer

A família enriquecida

Não gostava do poder 

 

Era um pai-marido-pão

Sustentava os que eram seus

Escriturário a profissão 

A quatro filhos disse adeus 

 

Quis sonhar a liberdade…

 

(Fernando Reis)

De Arranhó terra natal

O Fernando Luís Reis

Toda a vida se deu mal

Com quem queria impor-lhe leis 

 

Foi um desses tais soldados

Que iam para Penamacor

Por não serem muito dados

A dizerem “sim, senhor”

 

Quis sonhar a liberdade 

E quando Abril por fim se deu

Houve tiros na cidade

E em Abril ele morreu

 

Na rua António Maria

Quatro mortos à civil

Caíram naquele dia

Foram mortos em Abril

 

Quis sonhar a liberdade…

Ficha Técnica:

Letras: José Fialho Gouveia
Músicas: Rogério Charraz
Voz: Joana Alegre e Rogério Charraz

Baixo: Nuno Oliveira
Guitarras: Marco Reis
Pianos: Carlos Garcia
Trompetes: Sérgio Charrinho
Percussão: Carlos Miguel Antunes
Coros: Alexandre Alves, Sérgio Charrinho e Rogério Charraz

Gravado nos estúdios Arda Recorders e Plateia d`Ilusões.
Misturado no estúdio Plateia d`Ilusões, por Vasco Teodoro.
Masterizado por Miguel Pinheiro Marques na Arda Recorders

Ilustração: Marta Nunes

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