1. As armas e os cravos - Anónimos de Abril

Nasceu de um ventre galego

O pai não lhe deu apego

A infância foi-lhe agreste

Cresceu pela Mouraria

Trabalhou no que aparecia

Tinha o nome de celeste

 

E acaso houve um dia

Que o lugar onde servia

Tinha um ano a festejar

E por essa ocasião

Arranjara o patrão

Cravos que eram para dar

 

Mas a casa não abriu

E Celeste lá saiu

Com os cravos pela mão

Pelas ruas viu soldados

Que seguiam alinhados

Para o Carmo em procissão

 

Um pediu-lhe um cigarrinho

Para fumar pelo caminho

E dar força para lutar

Mas como ela não fumava

Deu ao jovem que a cravava

um dos cravos para levar

 

Ele não se fez rogado

Pôs o cravo encarnado

Na espingarda que trazia

E aos outros que encontrou

Outros cravos lhes deixou

E deu flores àquele dia

 

Sem querer ficou na história

Plantou cravos na memória

E no nosso coração

Pois se não fosse por ela

Não havia na lapela

Cravos da revolução

Ficha Técnica:

Letras: José Fialho Gouveia
Músicas: Rogério Charraz
Voz: Joana Alegre e Rogério Charraz

Baixo: Nuno Oliveira
Guitarras: Marco Reis
Pianos: Carlos Garcia
Trompetes: Sérgio Charrinho
Percussão: Carlos Miguel Antunes
Coros: Alexandre Alves, Sérgio Charrinho e Rogério Charraz

Gravado nos estúdios Arda Recorders e Plateia d`Ilusões.
Misturado no estúdio Plateia d`Ilusões, por Vasco Teodoro.
Masterizado por Miguel Pinheiro Marques na Arda Recorders

Ilustração: Marta Nunes

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